sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"Zoyan" O Boto Bonito!!!























Preste bastante atenção!
Em tudo que vou lhes contar
Tudo isso aconteceu em Salém
Uma cidade do oeste do Pará
Em um lugar refletido em magia
Tudo é misterioso, você vai se encantar

Aqui em Salém no estado do Pará
Tudo enquanto se transforma em ousadia
O orvalho que cai na calada da noite
Reluz na manhã do outro dia
O boto exala cheiro de moço, na beira da praia
Acontece desgraça, quando a coruja pia

Nossas praias exuberantes nos cativa
Nós enchemos de orgulho ser daqui
O nosso Pará,porém é esquecido
Sempre fora da mídia,e não lhe faltam Q-I
As noticias ruins dominam na tela
Mas nossas florestas, não nos deixa sumir

Nessa terra, que respiram mistérios
Até Saci Pererê dança de um pé só
Mãe  d água se banha, na beira do rio
Fogosa rebola dançando carimbó
Mexendo seu corpo, e seus cabelos compridos
Negros como a noite, enroscando no seu mocotó

No caminho da roça,tem Matinta Perera
Assobiando ao vento, de passos apressado
Seus dentes pretinhos da cor de carvão
Os olhos vermelhos, grandes arregalado
Coberta de folhas, unhas pontudas
Nariz bem comprido, cabelo esticado

Cai na risada, faz mangofa de gente
Faz o povo tremer com medo medonho
Arrancar na carreira, por dentro do mato
O ser é feioso, o ser é bisonho
Matinta Perera é figura bizarra
Não quero lhe ver, nem pintada em meu sonho

Carrera danada deu foi o velho pescador
Quando pescava em um dos rios dali
Acendeu um cigarro de palha, começou a pitar
Quando avistou, a cobra sucuri
Que engoliu o pobre velho, de ponta cabeça
Você já imaginou, por onde ele foi sair

O cigarro do velho, uma brasa enorme
Empurrou na barriga da cobra, que ela cuspiu
Todo melado de gosma,e quase quebrado
Três metros adiante, o velho caiu
A cobra sucuri desapareceu, nas águas
Depois do acontecido, ninguém, mas lhe viu

Ainda é mistério, sumiço de Rosinha
A moça bonita, que virou sereia
De tanto ser gorda, e ser maltratada
A pobrezinha se imaginava muito feia
Até hoje não se sabe, em que ela se transformou
Se foi mesmo em sereia, ou  em uma baleia

Quem contava estas histórias, era índia Dadá
Velhinha corajosa e sasariqueira
Dava cambalhotas, pulava igual canguru
Gostava de pinga, enchia a gaiteira
Falava de, mas que crescia o gogó
Ainda dizia ser parente de Matinta Perera

Andava nas matas das terras de Salém
Conhecia os segredos de todos os animais
Dividia comida com onça e leões
Não temia animal algum,nem o mas voraz
Falava com bicho, na linguagem estranha
Histórias de Dadá,que era sábia de mais

Maromba era esperto, filhote zangado
Metade cachorro, metade zumbi
Carregava nas costa,um novelo de carne
Odiava de sangue, Matinta Perera,e saci
Só respeitava Curupira, que é dona da mata
Dava-lhe tabaco, pra ela não lhe perseguir

Curupira atormenta toda a floresta
Ai de quem quiser lhe pedir um favor
De repente o assobio transborda na mata
Vivente fica mudo, e surdo é horror
Encanta os pássaros, até o Uirapuru
Cala-se diante, de tanto terror

Macaco em silêncio, e corvo gigante
Nas lascas dos paus, com medo cerrado
Até as borboletas, descartam temor
As quebradas dos bichos assustado
Curupira atrai em círculo na mata
Ninguém se esconde de seus olhos encarnado

Nas margens do rio aparece Zoyan
O boto bonito de sorriso alarmado
Que encanta cabocla  de pele morena
De pés descalços, e cabelos dourado
Louco de amor no leito da lua
Apaixona cabocla, e some apressado

Cabocla menina, as cinco,as seis
De volta na praia resume o efeito
Nas ondas das águas, cortantes dos rios
Lágrimas amargas, escorre em seu peito
Descobre que Zoyan sumiu de seus olhos
Onde se esconde, é mistério perfeito

No céu de Salém, nuvens se espalham
Escondem mistério noite de luar
Na beira dos rios, as sereis se banham
Perfume  se alastra o cheiro no ar
O encontro das águas, branquinha e moreno
Encanta os povos de todo lugar

Branquinha e moreno, de fortes atrações
Os botos na luta reluzem teu povoado
Minguante nas cores cheias de vidas
Planteia, o azul, com o seu tom rosado
Feliz a platéia, multiplicando as crenças
Com tantas batidas, coração enfeitiçado

Mistério do vento, onde as folhas se empenham
Trazendo fortaleza, em cada pendão
A terra encantada tem magia e esplendor
No sopro da brisa, da noite de escuridão
Desponta as estrelas brilhando no céu
Em noite de lua cheia,aparece assombração

O Lobisomem, cavalga no lombo da noite
Porteira aberta atravessa o cercado
Na fuga sem rumo, gemido sem dor
Pulo certeiro, canino afiado
Se correr ele pega, se fica ele come
Só bala de prata reduz o resultado

Gaviões noturnos, e rasga-mortalhas
Dana-se no canto, de vez agourando
Tesoura da morte, fiel e fatal
Se deitar no leito do povo assombrando
Se afunda com sete, resume á estreita
Abaixo da terra, se dilacerando

A terra encantada, misteriosa é Salém
O Deus soberano se estampa na gente
Branquinha e moreno nos enchem de orgulho
Torrão abençoado, Deus nos deu de presente
O sol que nos cobre, brilha, mas que brilhante
Por isso nós somos um povo  contente.



                                                                       Maria machado